Vista aérea panorâmica da Associação Educacional Boa Nova, em Ipameri

Em 2026 a Associação Educacional Boa Nova completa 60 anos ininterruptos em Ipameri. Seis décadas em que o barro virou escola, ofício e renda, e em que gerações de crianças e jovens da cidade encontraram ali um caminho. É uma história que pertence a Ipameri, e vale contar.

De um campo de cerrado a um modelo para a América Latina

Tudo começou em 1966, quando voluntários do Grêmio Espírita Paz e Fraternidade procuraram alternativas para crianças e jovens em extrema vulnerabilidade nas ruas da cidade. O terreno inicial, de 5.500 m², saiu de uma coleta entre amigos; o primeiro pavilhão foi erguido em mutirão, num campo de cerrado. Hoje a instituição ocupa 35.000 m².

Em 1968, o contato com a Cerâmica Tupy, de São Caetano do Sul, e com as Indústrias de Porcelana ABC, de Santo André, trouxe a produção de faiança. Liderado por Margarida Fernandes Horbylon, ao lado do Dr. Alenon, de D. Irene, de Dona Vadinha e de outros, o grupo apostou numa ideia então pioneira: vender as peças no mercado nacional para sustentar as atividades sociais. A primeira nota fiscal saiu em 1970, para as Lojas Americanas de Brasília.

Nos anos 1980 a estamparia em fôrmas de gesso deu lugar à cerâmica em tornos, e o reconhecimento veio de longe: a UNICEF classificou a Associação como uma das cinco instituições modelo para a América Latina, e o trabalho chegou às páginas do The New York Times em 1983. Vieram também as oficinas de bordado, sisal, arraiolo, bijuteria e hortaliça, e muitos aprendizes daquela década se tornaram mestres na seguinte.

Na virada do milênio a equipe fundadora passou o bastão, em grande parte, a ex-alunos que já estavam no dia a dia da casa, sem interrupção. Depois vieram a escola de informática, o Ponto de Cultura, o Projeto Criança Esperança, o Selo Top 100 SEBRAE de Artesanato, dois campos society, o ateliê de alta temperatura em 2021 e um parque solar que hoje soma 200 placas. A Boa Nova é a única escola de modelagem em tornos gratuita e permanente do Brasil.

O que a Boa Nova produz

A cerâmica não é um detalhe da instituição: é o que sustenta boa parte do trabalho social. E a equipe de artesãos é formada por ex-alunos do próprio projeto, prova de que o ofício gera autonomia.

Vaso de terracota da Boa Nova com planta, para jardinagem e decoração

Terracota

A principal linha da casa: cerâmica vermelha para jardinagem e decoração, feita no torno. Está na Leroy Merlin, na Petz e em lojas de jardinagem de todo o eixo Goiânia–Brasília.

Alta temperatura

Do ateliê aberto em 2021 saem xícaras, chávenas e pratos com esmaltes desenvolvidos na própria casa, queimados a 1240°. São peças de maior valor agregado e dão um presente que agrada sempre.

Xícara azul de alta temperatura com bandeja oval, produzida no ateliê da Boa Nova

Como comprar

Comprar uma peça da Boa Nova é levar cerâmica feita à mão em Ipameri e, ao mesmo tempo, sustentar o trabalho com as crianças e os jovens da cidade. Você pode comprar:

Quem quiser revender as peças também pode falar com a instituição pelos mesmos canais.

Sessenta anos depois daquele mutirão no cerrado, os tornos continuam girando. Parabéns, Boa Nova — e obrigado por esses 60 anos.

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